Primeira viagem de inverno de 2017 – Aurora Boreal em Janeiro

No fim do mês de janeiro deste ano tivemos nossa primeira saída de inverno com mais um grande grupo formado por pessoas de todo o Brasil. Nos encontramos em Oslo, fizemos a reunião noturna como sempre fazemos no saguão do hotel e fomos dormir para iniciar a viagem ao Ártico no dia seguinte.

Ao acordarmos ainda cedo, pegamos o primeiro voo com destino as Ilhas Loføten, no extremo norte da Noruega. Para chegarmos as Ilhas, sempre precisamos voar em um avião grande até a cidade chamada Bodø,  que já se encontra além do círculo polar, na Lapônia litorânea da Noruega. Lá fazemos uma rápida conexão em um pequeno avião bimotor que nos leva em 20 minutos até o minúsculo aeroporto da cidadezinha chamada Svolvaer. Esse pequeno voo por si só já é fantástico pois o pequeno avião faz um trajeto panorâmico muito próximo aos cumes das montanhas nevadas das ilhas, em meio aos fiordes, em um visual de tirar o fôlego.

Avião chegando aos Ilhas Loføten

Como sempre acontece em todos as nossas chegadas na Ilha, os nossos parceiros locais nos aguardam para o traslado ao hotel em todas e assim começa de fato nossa viagem.

Chegamos com tempo fechado, bastante nuvem, o que não é incomum devido ao fato dessas ilhas sofrerem influência da corrente de agua quente do golfo, que acaba por condensar muitas nuvens sobre o mar. Mesmo sabendo disso, Loføten possui uma beleza geográfica tão impressionante que vale sempre a pena irmos lá, mesmo com tempo fechado e tendo que, muitas vezes, negociar com as nuvens e achar “buracos” no céu para ver a aurora boreal.

Nossas 2 primeiras noites não conseguimos ver as luzes, o tempo não deu qualquer brecha, por mais que tenhamos tentado sair todas as noites. No terceiro dia, quando voltávamos da viagem panorâmica ao sul da Ilha, para o incrível vilarejo de Reine, foto abaixo, paramos para almoçar e resolvi pesquisar ainda mais sobre a previsão para os dias seguintes.

Reine, a vila de conto de fadas

Por algum tempo pensei em fazer uma manobra que só é possível em roteiros e viagens totalmente personalizadas como a nossa, sem a rigidez e o engessamento tão comum nos pacotes turísticos comercializados em geral. Conversei com o meu auxiliar e parceiro, Jonathas vapor, sobre a possibilidade de trocarmos nosso hotel e estadia em Tromsø por outra região para leste da cidade, já no norte da Suécia, pois me parecia que nos dias seguintes isso seria o melhor a ser feito.

Ao reunir o grupo todos apoiaram a idéia que fiquei de ratificar no dia seguinte, quando chegássemos em Tromso. O ponto positivo nesse dia era que, embora a previsão fosse – aparentemente –  continuar ruim nos próximos dias, o tempo no Ártico é quase imprevisível, podendo mudar pra melhor de uma hora para outra e assim ainda estávamos bem tranquilos, era início de viagem. Ainda tinha mais um detalhe, na previsão algo me indicava que na viagem de navio que faríamos aquela terceira noite em direção à Tromsø, teríamos tempo aberto por um pequeno período e com chance de vermos as luzes de dentro do navio. 🙂

Aurora sobre a chaminé do navio

10 horas da noite embarcarmos no navio Hurtigruten, um cruzeiro que nos leva de Loføten até Tromso com cabines duplas com banheiro, restaurantes, bares, jacuzzi, sauna e toda estrutura navegando pelos fiordes. Após cerca de 1 hora de navegação fui observar o céu e  ela estava lá, a aurora boreal, enfim, a primeira luz verde no céu para aquele grupo tão animado. Como se não bastasse também era a minha primeira vez vendo a aurora de dentro do navio.

Eu e a aurora vista do deck do navio

Logo a multidão se reunião para ver as luzes do navio mas logo depois voltaram a entrar pro quentinho.

Chamei a todos pelo WhatsApp para que se reunissem comigo no deck de trazeiro, joguei meu casaco preto sobre uma lâmpada que clareava um pouco o lugar, o breu tomou conta do lugar que rapidamente se apinhou de turistas. Com o trepidar da navegação e o aglomerado de gente fica difícil fazer fotos mas a nossa alegria por, enfim, estar vendo as luzes, tomou conta de todos.

Chegamos em Tromsó no dia seguinte, felizes e aliviados e, para melhorar, a tal previsão que nem sempre é confiável mudou, e indicava que provavelmente seria um exagero trocar de local, de cidade, de hotel. Parecia que próximo à Tromso, cerca de 80 a 100 km de distância da cidade, poderíamos encontrar estrelas nos próximos dois dias. Dessa forma abortamos o plano de mudança de roteiro, algo que já nos salvou outras vezes, e decidimos ficar na cidade.

Navio chegando em Tromsø by night

Centrinho de Tromsø

Naquela noite, nossos sistemas indicavam que se dirigíssemos para o interior até Nordkjosbotn, poderíamos encontrar tempo aberto e decidi sair cedo por isso.

Chegamos lá e o tempo permanecia fechado, mas o sistema dizia que por volta de 22 h começaria a abrir. Tranquilamente fomos conversando, entrando e saindo da van por causa do frio e o céu aos pouco foi se limpando.

Como em um passe de mágica enfim ele abriu de repente, as estrelas surgiram e a aurora boreal apareceu com força dançando e se contorcendo sobre nossas cabeças. Uma aurora boreal linda, clássica, que precisou mesmo ser “caçada” em meio ao tempo fechado.

Veja fotos e links desse momento:

Nordkjosbotn e a primeira aurora forte que parecia cair sobre nossas cabeças.

Grupo admirando a dança das luzes na beirinha da agua do fiorde.

Eu e a forte aurora de Balsfjørd.

Todos maravilhados com a primeira aurora boreal forte na vida deles, voltamos com aquela sensação de vitória e júbilo que se sente quando vivenciamos algo tão raro, especial e que nunca é igual a outra vez.

No dia seguinte, ainda na região de Tromsø, a previsão de curto termo, essa bem mais confiável, dizia que o tempo iria, enfim, abrir, e nos dar mais facilidade. Além disso a radiação que forma a aurora estava forte desde a noite anterior e ficaria assim nos próximos dias. Toda a tensão que senti no início da viagem por não ter visto as luzes nas 2 primeiras noites se dissiparam e eu senti que aquele grupo iria, assim como quase todos os nossos grupos, ver muita aurora boreal no céu.

Sabendo da facilidade de tempo aberto e boa radiação decidi sair cedo para vermos o máximo de aurora possível e em um lugar especial que eu conheço e adoro por ser plano, sem montanhas atrapalhando a visão, por ser ermo e sem carros passando, sem luzes artificiais e em uma área gigante para acomodar todo o grupo com segurança e conforto.

Lá chegando foi só parar as vans e olhar pro céu, a aurora estava lá, por todos os lados, e ficaria assim a noite inteira. Demais !!!!

Na manhã seguinte partimos para a viagem rodoviária de 3 horas até nosso querido e tradicional condomínio de chalés em kilpisjarvi, um minúsculo vilarejo de 80 habitantes que descobrimos anos atrás em nossas pesquisas e inserimos exclusivamente em nosso roteiro por ser um dos melhores locais isolados para se observar a aurora no mundo. Quem lê esse blog com frequência sabe que já falei muitas vezes sobre o quanto gostamos desse local especial que é como se fosse nossa segunda casa.

A previsão continuou positiva e tivemos mais 2 noites com a aurora boreal forte sobre nossas cabeças como  podem observar pelos videos e fotos abaixo:

 

2 de nossos chalés que sempre ficamos em Kilpisjarvi. Isolamento perfeito.

Grupo observando a aurora boreal por cima do lago congelado.

Momento onde a aurora dançava com muita velocidade.

Assim como acontecera em outubro de 2016, a aurora despencou sobre nossas cabeças em cima do chalé, fazendo com que não precisássemos sair dali, pegar carro e bem no dia em que fazemos nossa tradicional reunião de queijos, vinhos, pizzas e bebidas enquanto fazíamos sauna e mergulhávamos no lago congelado na maneira tradicional da Lapônia. Tudo tão incrível que fica difícil colocar em palavras mas as imagens acima dizem um pouco o que é essa experiência.

Aquela ultima noite a aurora estava linda, de repente ela pegou força sobre os telhados dos chalés enquanto muitos estavam bebendo na jacuzzi, começou a dançar freneticamente, formando cortinas por todo lado, parecendo que podiam ser tocadas com a mão.

Depois de tanta aurora boreal, como dizemos, “overdose”de luzes no céu, no dia seguinte voltamos para Tromsø com o animo nas alturas e a viagem completíssima. Mais uma vez, nós da Geotrip, muito satisfeitos de conseguimos mostrar as luzes para o grupo e ver a satisfação de todos.

Continuarei atualizando o Blog com o relato de todos os nossos grupos, dos mais recentes até o último que havia escrito no final de 2015. Acompanhe por aqui. Muito obrigado e quem sabe juntem-se a nós enviando um email para contatogeotrip@gmail.com ou nos telefonando para os diversos canais de comunicação aqui deste site.

Daniel Japor

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