MELHORES LUGARES PARA VER A AURORA BOREAL NO MUNDO (PARTE 2)

Na postagem anterior falamos sobre a LAPÔNIA, região que consideramos a melhor do planeta para observarmos a aurora boreal pela estrutura que oferece e por diversos outros detalhes que tornam a viagem com esse objetivo um pouco mais fácil. Para quem não leu, vale dar uma conferida.

Agora,  falaremos um pouco sobre as demais regiões do planeta que, embora não consideremos as de mais fácil acesso ou melhor logística, também podemos observar as incríveis luzes da aurora, cada uma com sua particularidade:

  • ALASKA

O Alaska é lindo, tem muito mais vida selvagem que a Lapônia, duas enormes cadeias de montanha. Em uma delas encontra-se o icônico Monte Mackinley, ou Denali, o mais alto da America do Norte e mais gelado do planeta. É um estado americano gigantesco e de natureza intocada por todos os lados. Mais da metade de sua área fica sob o cinturão (região onde incidem as luzes) da aurora boreal.

O interior do Alaska, melhor região para observarmos as luzes,  é quase vazia, sem cidades, assim como quase todo o Estado, e  só possui um centro urbano relevante, Fairbanks. A região é cortada por duas boas estradas, norte sul, leste oeste…. É perfeita para a observação das luzes bem no centro do céu – em cima de nossa cabeça –  em se tratando de latitude, como Tromsø na Noruega. Embora isolada, a cidade tem voos diários, bons hotéis, Walmart, e tudo que nunca falta em uma cidade americana de porte médio. Observar a aurora no Alaska têm um outro diferencial em relação a Escandinávia (Lapônia) que são os grande pinheiros. Ao contrários das bétulas (árvores sem folhas, de troncos finos e de galhos secos, típicas e que tomam conta de toda a Lapônia), no Alaska podemos ver a aurora em meio a florestas de grandes pinheiros. São imensas árvores até perder de vista que, mesmo no inverno, ainda conseguem preservar a folhagem.

Monte Denali

   

Into the Wild

Alaska Railway, linha de trem que atravessa o Estado

  

Primeira nevasca do ano de 2016 próximo a Talkeetna

Águas termais em Chenna Hot Springs

Bar de Gelo em Chenna Hot Springs

Aurora Boreal próxima a Fairbanks refletida em um laguinho

Observando a aurora sobre os pinheiros, clássica visão no Alaska.

Existe, pertinho, um estância termal muito legal, chama-se Chenna Hot Springs, com aguas quentes, pelando, permitindo um mergulho relaxante nos lagos rodeados de neve, mesmo com temperaturas extremamente baixas do lado de fora.

A capital, Anchorage, embora propícia a visualização da aurora, não é ideal por ser excessivamente ao sul. 

Por que  – afinal  – consideramos a Lapônia melhor que o Alaska para observarmos a aurora?

Consideramos a Lapônia uma região “melhor” ou “mais fácil”, para observamos as luzes, digamos assim, não por existir mais aurora boreal naquela região, mas por ter o clima – normalmente  – menos rigoroso, mais estrutura, mais estradas que permitem fugir de nuvens, mais cidades, vôos e hotelaria. Somente isso, nada relativo à natureza. 

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  • CANADÁ

O CANADÁ é o segundo maior país do mundo, um verdadeiro continente.

Grande parte do país, do seu centro ao norte, fica em áreas onde as luzes da aurora normalmente aparecem, assim como no Alaska. Da mesma forma, embora a região seja enorme, possui pouquíssimas cidades, quase ninguém vive por lá…

Na região Noroeste temos o Estado do Yukon.  Neste estado, mais próximo ao Alaska, existem cidades como Whitehorse que, assim como Fairbanks, possuem alguma estrutura, clima e facilidade de se alcançar por avião… 

Regiões mais remotas no centro norte do Canada como Yelowknife e Fort MacMurray são incríveis para se observar as luzes, mas a dificuldade de acesso somada ao clima extremamente rigoroso no inverno podem dificultar, e muito.

Ja na região nordeste, temos a cidade chamada Churchill, banhada pela gigante baía de Hudson que,  além da aurora, tem um atrativo à parte, os ursos polares que migram pela região e são facilmente avistados em passeios turísticos que podem ser contratados em agências locais.

Assim como o Alaska, entendemos que tais destinos no Canadá, embora muito legais, acabam se tornando mais complexos e dispendiosos pela logística no que se refere a estrutura para visualização da aurora.

Estrutura turística para observar ursos polares em Churchill

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  • ISLÂNDIA

A Islândia é um país pequeno, fica logo abaixo do círculo polar –  área onde normalmente percorremos em busca da aurora na Lapônia –  e tem características muito peculiares. A geografia é única e o clima muito louco! Em 4 horas de estrada com seu carro – por exemplo –  se pode conhecer vulcão, gaysers, geleiras, terras negras formadas por lavas e outros campos repletos de musgos até o horizonte. Praias com icebergs, cachoeiras congeladas, rachaduras na terra, tudo muito diferente…  Ao mesmo tempo que neva, cai granizo, chove, faz sol, e venta como um furacão na estrada… Por isso as vezes buscar a aurora boreal e achar tempo aberto para ver as luzes, é bem complicado…

Assim, entendemos que se tens como único objetivo ver a aurora na Islândia, o melhor é separar bastante tempo com alguém que conheça bem o país, pois, se não der sorte, pode voltar decepcionado. O clima imprevisível pode estragar sua viagem.  

Contar com guias locais para fugir das nuvens pode sair muito caro. O país é, talvez, o mais dispendioso do mundo e, contar com a sorte fazendo vários passeios guiados, pode ter um custo assustador!

Em minha opinião pessoal a Islândia não é, nem de perto, o lugar mais fácil para você tentar ver a sua primeira aurora boreal mas,  sem dúvida, é o mais interessante em outros quesitos. Bonito ou, estranho, diferente, fantástico, assustador, e um monte de outros adjetivos… Um país único, com características geográficas inacreditáveis!

O encontro de 2 placas tectônicas acabaram formando no meio do oceano atlântico uma ilha incrível, cheia de cachoeiras maravilhosas, praias, vulcões e geleiras inacreditáveis.

As vezes parece outro planeta…. Uma geografia especial que, ainda que você não encontre a aurora boreal no céu, vale muito a viagem!!  Imagina se tiver!

Super cachoeira fotografada à noite no sul da Islândia

Praia com gelos e icebergs no sul da Islândia

Cachoeira semi congelada

gelo na praia

Antes de colocar o drone pra voar sobre a geleira com o amigo Chico Mattos

Amanhecendo em outra cachoeira gigante

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  • RUSSIA

A imensa Russia e sua região norte, denominada Sibéria, é um dos maiores pedaços de terra do mundo…. Você sabia?  Muita gente não sabe mas a Sibéria é gigantesca…

Para os que não sabem,  a Sibéria pode ser considerada a parte norte da Russia, desde que toca a fronteira com a Finlândia/Noruega, até o outro lado do mundo, lá próxima ao Mar do Japão, quase colada no Alaska, cobrindo metade do planeta.

É quase toda coberta pela floresta boreal (taiga de pinheiros e bétulas) ou pela tundra (musgos e liquens).  É quase desabitada, tirando poucas cidades como a industrial Murmansk, Norilsk, Nikel e Archansgelsk, na Siberia europeia. A parte oriental, quase não tem nada, tirando  vilarejos de esquimó e a cidade de Irkutsk, mais ao sul, próxima à Mongolia. Dessa forma, buscar aurora boreal na Sibéria, se não for nos arredores de Murmansk, que tem voos diários de Moscou, algo que pretendo fazer em breve, só pela curiosidade, não recomendo pela total falta de condições e pelo frio descomunal. Por causa do efeito da continentalidade (algo que já comentei por aqui em outras postagens), quanto mais nos afastamos do mar e adentramos no continente, pro leste, mais frio fica!  Apenas a titulo de curiosidade geográfica,  o lugar habitado – sem ser base na Antártida – mais frio do planeta fica na Sibéria e chama-se Oymyakon, uma vila próxima a Yrkutsk, bem longe do mar, onde o recorde de frio já chegou próximo a 70º c negativos. Tá no Guiness Book…

Murmansk, Sibéria

Aurora sobre Igreja Ortodoxa, Sibéria

Oymyakon, o vilarejo mais frio do mundo!

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  • GROELANDIA

A aurora Boreal pode ser vista nas pequenas cidades/vilarejos da Groelandia que recentemente tem se aberto ao turismo com voos diretos da Dinamarca, país que administra a grande ilha. Ainda assim,  digamos, não é um local ideal para observarmos a aurora boreal com facilidade e preço aceitável. Inicialmente por não contar com muitas estradas, fazendo com que, caso o tempo feche, não se possa fazer muita coisa para fugir de nuvens, etc.. Os vilarejos até contam com passeios guiados com trenó ou moto neve (snowmobile) para buscar a aurora fora das luzes artificias das vilas mas isso nao adianta se o tempo fechar realmente. Além de tudo é uma viagem muito cara pelo fato de ser uma ilha isolada e, ainda, administrada pela coroa dinamarquesa.  Por todo esse conjunto não consideramos, nem de perto, um lugar indicado se o seu objetivo for, apenas, ver as luzes do norte. Por outro lado vilarejos como Illulissat, estão em ótima latitude para observarmos as luzes caso seu objetivo não seja apenas esse e esteja sobrando um pouco mais de dinheiro. São lindos passeios, observação de icebergs, etc… 

Icebergs próximos as casas no vilarejo de Ilulissat – Groelândia

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  • SVALBARD

 Svalbard é uma ilha no extremo norte da Terra e, assim como a citada Groelândia, é formada por grandes montanhas, tundra, geleiras, tem muitos ursos polares, e é administrada pela Noruega. Por anos fez parte de nosso roteiro, já estivemos por lá dezenas de vezes, incluindo em fevereiro passado, agora em 2018… Um grande amigo, o Chico Mattos, gaucho mora por lá… Longyearbyen, a capital da ilha,  é facilmente alcançada em um voo de 2 horas a partir de Tromsø, no norte da Noruega.  A cidade tem 2 mil habitantes, é a mais ao norte do mundo e um bom local para observamos as luzes,  mas não tanto, por ser ao norte demais, chegando a ultrapassar a região da aurora, fazendo com que tenhamos que olhar para o sul. 

Chega a ser engraçado não? 

O Lugar é tão ao norte, mas tão ao norte, que para ver a aurora boreal, ao contrário do todo o resto do planeta, temos que olhar pra outra direção…

Ultrapassamos a região da aurora e pulamos pro outro lado…

Digamos que Svalbard é mais polar que a própria aurora boreal!   Além disso, também não conta com muitas estradas para fugirmos das nuvens em caso de tempo fechado. Aliás, só tem uma estrada. Do aeroporto até a cidade, e continuando da cidade até uma mina de carvão. Com o snowmobile (moto de neve) podemos sair das luzes da cidade, mas se o tempo fecha, ficamos bem limitados.

Já vimos bastante aurora em Svalbard mas normalmente é mais rápida, mais imprevisível, menos usual, as luzes da cidade atrapalham e é bem mais extrema do que na região escandinava, claro.

Seguem algumas fotos:

Geleira da costa leste de Svalbard e….. eu

Centrinho de Longyearbyen – Cidade mais ao norte do mundo

Placas no aeroporto da cidade de Longyearbyen

 

Passeio de barco até cidade abandonada pelos russos – Pyramiden

Barco de mais de 100 anos de idade chamado “aurora boreal”, que todo ano se deixa congelar em uma das baias de Svalbard. 

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Assim fechamos nossa análise sobre os principais e mais conhecidos pontos geográficos onde a AURORA BOREAL incide – NORMALMENTE – em nosso planeta. Destacamos a região da Lapônia como ponto principal,  e com melhores características para se estruturar uma viagem em busca da aurora boreal, pelas facilidades um pouco maiores que o local proporciona.  Ao mesmo tempo, buscamos detalhar um pouquinho do que conhecemos dos demais lugares.

Gostaria de deixar claro que essa é, apenas, uma opinião pessoal sobre o tema, podendo estar equivocada.. Gosto pessoal embasado em experiências de pouco mais de 60 viagens e expedições em busca das luzes da aurora – nos últimos 10 anos –  pelo mundo.

Espero ter podido ajudar de alguma forma

Nos vemos no próximo post.

Abs

Daniel Japor

INSTAGRAM @auroraborealgeotrip

FACEBOOK http://www.facebook.com/auroraborealgeotrip

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