Grupo de fevereiro de 2014

Nosso último grupo de inverno de 2014 saiu de São Paulo em 23 de fevereiro com uma previsão de aurora não muito boa, aliás, com uma previsão bem difícil.  Segundo nossas avaliações pegaríamos tempo fechado por toda nossa estadia em Tromso, o que dificultaria muito nosso trabalho, tornando complicado encontrar a aurora boreal sob céu estrelado.  Em casos de tempo fechado por muitos dias, sempre temos que nos desdobrar ao máximo, dirigindo muito mais, tendo muito mais trabalho para achar as luzes. Mesmo assim preservamos o moral alto, como sempre, já planejando fazer o máximo possível para encontrar a aurora, mesmo que para isso tivéssemos que dirigir por toda noite, todos os dias.
Após o longo voo até Tromso, pousamos no Ártico com o tempo totalmente coberto, como esperado, mas, por outro lado, a radiação formadora da aurora (que vinha direto do sol) naquela semana, estava sendo monitorada constantemente e prometia ótima intensidade. Isso nos animava.
Já na primeira noite, com neve fraca caindo sobre a cidade de Tromso, fizemos um levantamento e decidimos ir para um região à sudeste da cidade, cerca de 100 km, pois havia possibilidade de pequenas aberturas de nuvem por lá. A radiação vinda do sol estava mediana mas, se conseguissemos achar algumas estrelas, certamente veríamos um pouco de aurora. Era nossa primeira noite com o grupo de fevereiro, todos animadíssimos e assim partimos para a primeira caçada.
Chegando lá, cerca de 2 h depois e ainda com a neve caindo, decidimos parar em um recuo na estrada na beira do fiorde e aguardar. Após pequena espera, não deu outra, nossa pesquisa e a previsão se mostraram corretas e as primeiras estrelas começaram a aparecer. Logo um arco verde de aurora boreal, ainda tenue, apareceu sobre nós e foi o suficiente para que partíssemos para longe da estrada e dos postes de luz, em busca de um local perfeito e escuro. Entramos em uma pequena estrada, cercada de pinheiros e subimos uma  montanha até nos isolarmos completamente. Ao chegar bastou sair do micro ônibus e olhar para o céu, ela estava lá, linda, sob os pinheiros. Era a primeira aurora boreal do grupo, logo no primeiro dia, em uma noite de tempo muito difícil e onde ninguém esperava nada demais. Foto acima.
Na segunda noite, contrariando as previsões anteriores, observamos que o céu iria abrir em um região a noroeste da cidade, cerca de 60 km de distância. Para animar ainda mais, a radiação que chegava do sol estava moderada, o que nos fazia ter certeza absoluta de que veríamos as luzes do norte, mais uma vez, pelo segundo dia seguido.
A região ideal desta noite era uma de nossas preferidas, por conhecermos uma localidade bem isolada, escura e longe das montanhas, fazendo com que pudéssemos ter quase 360 graus de céu desimpedido.
Antes de chegarmos já observávamos a aurora boreal pelo vidro do micro ônibus, deixando todos eufóricos, loucos para chegarmos rapidamente ao local ideal.  Ao chegar, bastou sair do carro, olhar para o céu e armar os tripés para as centenas de fotos que tiramos naquela noite. Era a segunda noite no Ártico, dois dias seguidos de aurora e o clima não poderia estar melhor.
Parte do grupo no “Expresso da aurora boreal”
A terceira noite já era aguardada por nós, organizadores da viagem, desde a saída do Brasil. A previsão é que naquela noite de 27 de fevereiro chegasse a Terra uma incrível radiação, proveniente de uma mega explosão no sol ocorrida 2 dias antes. Segundo nosso levantamento seria, de longe, a mais intensa radiação formadora de aurora boreal dos últimos meses e nós estaríamos lá, fazendo de tudo para ver. Por outro lado, o tempo estava terrível, nevasca, tudo fechado por toda a Lapônia, uma região de tamanho similar ao sul do Brasil inteiro. A situação era angustiante, sabíamos que haveria uma super aurora boreal nos céus mas as nuvens cobriam tudo, mesmo que dirigíssemos centenas de quilômetros.
Por toda uma tarde tentei levantar um local onde a cobertura de nuvens fosse, ao menos, mais fina, para que pudéssemos ao menos tentar ver as fortes luzes atrás das nuvens.
Dirigimos para um vale à cerca de 50 km da cidade, com objetivo de tentar que os altos cumes das montanhas do local de certa forma embarreirassem algumas nuvens, em algum momento, de forma a nos deixar ver um pouquinho daquela aurora especial. Por todo o caminho a neve caia no parabrisa, parecia piorar cada vez mais até que, do nada, decidi parar para observar o céu por alguns minutos. Bastou sair do carro e olhar pra cima e tomei um susto, não havia aurora boreal mas algo estranho e inexplicável pairava no meio das nuvens. Eram 5 luzes formando uma figura geométrica, paradas no ar em silêncio, muito alto, parecendo ter um tamanho enorme. Gritei para que todos saíssem rapidamente, aquilo ali era sem dúvida mais raro do que uma aurora boreal. Foto abaixo:
Ovni ?
 Por quase 40 minutos ficamos no local observando, tirando fotos, fazendo sinal de código morse com o Iphone, de queixo caídos sem saber o que estávamos presenciando. De repente, as nuvens cobriram de vez as luzes que desapareceram e nos deixaram ali sozinhos, parados, em choque, foi uma experiência surreal mas não podemos afirmar o que era.  Após essa experiência dirigimos até o vale mas o mau tempo não deu trégua. A neve parou um pouco, o suficiente apenas para cozinharmos um salmão fresco e deixar o tempo passar. Após 5 hr de passeio, com o tempo fechado e sem nenhuma perspectiva de melhora em toda região decidimos voltar para o hotel sem ver nada. O sentimento era de impotência, sabíamos que a aurora estava ali, muito forte, sobre as nuvens, mas nós não podíamos vê-la.
Chegamos de volta ao hotel as 2 h da manhã, cansados, mas algo ainda me incomodava. No quarto do hotel decidi fazer nova pesquisa meteorológica, bem minuciosa e, de repente, observei que havia possibilidade de abertura de tempo em uma região próxima da cidade, cerca de 40 km, na região litorânea. Essa abertura iria começar as 3 h da manhã e iria até as 6h. Sabendo da aurora especial daquela noite, não tive duvidas, liguei para os quartos e convoquei à todos que “voassem” novamente para a portaria e para o micro ônibus, o mais rápido possível e assim fizemos. Já no caminho pudemos observar as primeiras estrelas e ao adentrarmos no vale o tempo abriu, de repente, como um buraco nas nuvens. Acelerei até a região pretendida e a recompensa foi algo indescritível, que todos os participantes iriam guardar para o resto de suas vidas.
No meio desse buraco o céu estava verde, com uma aurora espetacular dançando de todas as formas e direções. Eram 3 h da manhã, um horário onde normalmente a aurora já não ocorre na latitude de Tromso mas aquela era uma noite especial. O Céu pegava fogo e a persistência valeu à pena. A vontade de ver a aurora venceu a dificuldade e após quase 7 horas tentando, enfim conseguimos o contato com aquela aurora inacreditável. Nós, da Geotrip, ficamos muito felizes com o trabalho dessa noite, demonstrando a todos que não se trata apenas de um trabalho que realizamos, mas de uma paixão, que transcende o profissionalismo, fazendo com que possamos realizar muito mais do que o prometido no pacote.
Fotos abaixo:
Gráfico da NASA desta noite mostrando a aurora boreal gigantesca sobre o globo terrestre, nível máximo.
Grupo com forte aurora boreal colorida no Vale Encantado e secreto.
Marlon Ilg  – Santa Catarina
Eu
Rafael Silveira – São Paulo
Quase manhã mas não desistimos
Aurora sobre nossas cabeças
Colorida

Soubemos depois que os diversos guias locais de Tromso haviam tentado mas nenhum deles havia conseguido ver as luzes pelo mau tempo. Apenas nós, brasileiros insistentes, haviamos tudo aquele privilégio!

Na quarta noite, muito satisfeitos com o resultado até ali, com auroras todos os dias, fomos para nosso chalé no isolado vilarejo chamado Kilpisjarvi, a 250 km de Tromso, já dentro de território Finlandês. Bastou chegarmos em nosso chalé por volta das 18 h  e olhar para o céu, a aurora boreal já estava ali, formando um arco de um lado ao outro do céu, em cima de nosso chalé, como se observa pelas fotos e vídeo abaixo. Incrível, inacreditável, era nosso quarto dia seguido com as luzes do norte.

Naquela noite tivemos uma aurora boreal forte, novamente, clássica e embora menos intensa do que a espetacular da noite anterior, estava sobre nosso confortável chalé, com um céu de planetário, completamente estrelado, numa região que possui o céu mais límpido de toda Europa.
Fui para a cozinha preparar o tradicional bacalhau fresco com cogumelos que sempre oferecemos para o grupo que, com o wifi do chalé, se comunicava com os amigos ao mesmo tempo em que viam a aurora dançar. Foi uma noite especial.  e uma exclusividade Geotrip, que demonstra que oferecemos um dos pacotes mais exclusivos do mundo.
Nosso chalé
Chalé vizinho
Fronteira Noruega x Finlândia na manhã seguinte
Na tarde do dia seguinte retornamos à Tromso pela estrada conhecida como Rota da Aurora Boreal, extasiados com toda a experiência que estávamos tendo todos os dias, mas o melhor ainda estava por vir. Como se não bastasse aquela noite prometia uma nova aurora fantástica, uma radiação fora do comum, novamente. para melhorar a previsão para a região de Tromso era perfeita e sem nuvens, o que iria facilitar nosso trabalho. A previsão de aurora para aquela quinta noite era 100% de chance, seria mais um dia com as luzes, e seria a melhor noite de todas.
Nos dirigimos para a região litorânea, em busca de um belo lugar para ver a aurora sobre o oceano e com as montanhas… No meio do caminho o show começou. Como previsto, a radiação daquela noite teria uma velocidade incomum, fazendo com que a aurora dançasse de forma frenética e vertiginosa. Foi exatamente isso que aconteceu…Paramos na base de uma montanha no caminho,  caminhamos por uma pequena estrada e ali ficamos, de queixo caído, observando uma aurora fantasmagórica, dançando e se movendo de forma muito rápida, formando as mais espetaculares formas, acendendo tudo, refletindo no mar  e formando até sombras. Foi a aurora mais rápida e movimentada que eu, pioneiro neste trabalho, tendo visto a aurora boreal por mais de 100 oportunidades, já havia visto.
Fotos abaixo:
                
Após 6 noites com a aurora boreal dançando nos céus, todos os dias, em um aproveitamento perfeito, partimos para a Ilha de Svalbard, para finalizarmos a viagem passando alguns dias na cidadezinha mais ao norte e polar do mundo, Longyearbyen, localizada na Ilha de Svalbard, cerca de 2 h de voo ao norte da Escandinávia. A Ilha de Svalbard, mais uma exclusividade da Geotrip, é sempre um destino especial para coroar a viagem e nosso roteiro que, sem dúvida, é muito especial.
Na ilha o grupo pôde fazer o passeio de trenó em um dia e a viagem de moto de neve no segundo dia, experiências polares únicas, para se guardar para o resto da vida.
Ao chegar a Ilha, fui convidado por um amigo brasileiro chamado Francisco Mattos, que mora no local e trabalha com fotografia da natureza selvagem, para fazer uma expedição com ele e mais outro amigo Norueguês chamado Pall, até a desolada e remota costa leste da Ilha de Svalbard, cerca de 150 km dali e algumas horas de distância em uma moto de neve (não há estradas em Svalbard). Segundo eles haveria a possibilidade de encontrarmos ursos polares no local. Aceitei o convite, aquela era uma experiência única para mim, que mesmo indo diversas vezes ao ano até a Ilha, jamais tinha feito algo semelhante. Me separei do grupo e as 4 h da manhã saímos da cidade.
No escuro só era possível ver vultos a frente, o frio queimava a pele exposta sob o capacete, mas tínhamos que acelerar bastante para chegarmos com o amanhecer. Depois de algum tempo o céu começou a clarear no horizonte, e os vultos se transformaram em montanhas brancas e azuladas, até o horizonte. A tundra sem árvores e os cumes pareciam outro planeta. Após 2 h de viagem enfim descemos em uma enorme geleira na beira do mar congelado da costa leste da Ilha de Svalbard.  O frio era mortal, o simples fato de tirar uma luva poderia danificar os dedos para sempre em 1 ou 2 minutos, aquilo definitivamente não era feito para humanos, era a terra dos ursos polares.
O sol riscando o horizonte do mar congelado deixava tudo azulado, o paredão de gelo na altura de um prédio se estendia por muitos quilometros e havia pegadas de ursos por todos os lugares. Mesmo tendo estado tantas vezes em Svalbard, nunca havia saído da costa oeste, a área mais quente e sem ursos, a possibilidade de encontrá-los me deixava eufórico. Após menos de 10 minutos vasculhando o local com binóculos, o Chico viu um animal ao longe e aceleramos até ele. Eu não podia acreditar que estava realmente amanhecendo com ursos polares.
         
Eram 2 ursos, uma fêmea menor fugia ao longe, o macho, bem maior, parou ao nos ver e ali ficou. Por mais de 40 minutos ficamos próximos a ele, filmando, fotografando, o sol queimava o pelo do bicho deixando-o dourado, era uma experiência espetacular, talvez a mais fantástica da minha vida. Essa expedição no ultimo dia de viagem coroou o grande sucesso que se tornou a viagem de nosso ultimo grupo do inverno de 2014.
 Bloco de carnaval Unidos do Polo Norte

3 thoughts on “Grupo de fevereiro de 2014

  1. Elen: jaaa, haha cerruti!! jaja D&G er en klassiker da. pipbrjertemaHn: heeelt enig. er ikke såå fan av veskene men denne strømpisen hadde jeg likt=)Jorunn: MM!! Bergfald: hah, da er vi to =)Ediot: MMM! liker det, hvertfall til enkle outfits, da kan det løfte antrekket til nye høyder vettuuu, og det liker man! Hadde en strålende feiring, takk! du og? =)Den lille Motespire: Jeg er fan av strømpisene hvertfll! hehe

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