Última viagem da temporada de inverno – Março 2019

Hoje, finalmente,  irei reativar o Blog que funciona aqui no site. Estou sem postar há um longo tempo. Acabou há alguns dias a temporada de outono e inverno de 2018/2019 que dura de setembro até março.  Tivemos 7 grupos nesta temporada, foram muitas viagens.

No outono, percorremos a tradicional região das Ilhas Loføten, Tromsø e Kilpisjarvi.

Nesta última viagem, mudamos o roteiro e percorremos a cidade de Alta e Kautokeino, no norte da Noruega, próximas ao Cabo Norte, ponto mais ao norte e extremo da Lapônia, Europa e Escandinávia.

Tivemos um aproveitamento incrível neste inverno, mais uma vez, no que se refere ao avistamento da aurora boreal.

Éramos 22 brasileiros de todas as regiões, Nordeste, Farroupilha no RS, Brasilia, São Paulo, Rio, Niterói…

Antes de chegarmos na Noruega, ainda no Brasil, como sempre fazemos, sabia que teríamos uma forte radiação vinda do sol, o famoso vento solar que forma auroras na Terra. Assim, teríamos grande chance  já no início da viagem. Estávamos focados em encontrar a aurora logo no início, na primeira noite do grupo, pois é sempre bom tirar a ansiedade o quanto antes.

Os relatórios da NASA e os aplicativos que usamos, nos diziam que sim, estava vindo uma forte radiação vinda do sol, com alta velocidade e que chegaria logo nos primeiros dias. O único problema seria a cobertura de nuvem sobre a cidade de Alta que, principalmente para a primeira noite, mostrava que iria nos atrapalhar.

Fomos recepcionados pela equipe e motorista da van local que nos levou ao Lodge. Ao anoitecer, após estudo sobre a cobertura de nuvens que encobriam todo o céu sobre nós, decidimos que o melhor seria nos deslocarmos para a região do planalto de Kautokeino, cerca de 150 km dali. Lá, provavelmente encontraríamos céu aberto e sem nuvens.

Após cerca de 1 h e meia de estrada, enfim encontramos buracos nas nuvens. Mais e mais estrelas foram aparecendo e a decisão de irmos para lá se mostrou acertada. Nesse trabalho que fazemos há tantos anos, fugir das nuvens quando se faz necessário, é sempre o mais complicado mas na imensa maioria das vezes, conseguimos.

Pouco antes de chegarmos na gélida Kautokeino, achamos por bem parar longe das luzes da cidade. Com poucos minutos ali, logo observei as luzes da aurora boreal que começavam a aparecer sob a forma de um arco no baixo horizonte. Era a primeira vez que aquele grupo via as luzes da aurora e rapidamente pedi para que todos saíssem das 2 vans. Segundo depois, quando os primeiros ainda começavam a sair, a aurora explodiu bem no centro do céu, com movimento rápido, mas com uma névoa, como se fosse um véu, de nuvens entre nós e a aurora. Aquela nuvem, rala, atrapalhava muito, embaçava a aurora, mas mesmo assim foi possível ver o show, ainda que rápido, logo na primeira noite.

No segundo dia fomos para a cidade, passamos o dia  no pequeno shopping e logo ficou claro que a noite prometia. Sem nuvens no céu azul, relatórios informavam que os fortes ventos solares – como o da noite anterior  – ainda se manteriam sobre o planeta. Eram sinais de que poderia haver um show de aurora no céu.

Não deu outra! A noite chegou, as luzes explodiram sobre nossas cabeças, era apenas a segunda noite no ártico e a galera já recebia sua primeira overdose de aurora boreal.

Durante a noite, inclusive, um fato inusitado e muito legal deixou todos nós emocionados. No momento em que a aurora estava mais forte, o Vitor, nosso companheiro de viagem, ajoelhou-se e pediu a Carol em casamento bem ali, na frente de todos… 🙂

Cena inacreditável!

Ver o casal se beijando, com lágrima nos olhos, enquanto a aurora brilhava atrás da montanha foi inesquecível!  Imaginem para eles…

Olhem as fotos e o vídeo abaixo:

 

Nos dias seguintes, esse grupo de sorte, como todos os nossos outros grupos de inverno deste ano, continuou a ver a aurora boreal, todos os dias, como nas imagens abaixo:

OBS: Imagens e vídeos da aurora em tempo real, sem tratamento, sem efeito, como visto pelo olho humano. Esse tipo de filmagem em tempo real é diferente das imagens de fotos sequenciais editadas e aceleradas (timelapse) que se pode encontrar na Internet.

Depois de 5 noites em Alta fomos para Kautokeino, no coração da Finnmarksvidda, um planalto no extremo norte da Lapônia. Terra do povo Sami, que lá habita há séculos, desde muito antes da chegada dos europeus. Kautokeino é uma das vilas mais frias do mundo, com temperaturas que podem chegar a 50º c negativos por que, é longe do mar, em cima de um planalto e no extremo norte da Lapônia e do planeta.

Em Kautokeino o grupo pôde ter contato direto com a cultura Sami, fazendo um passeio extra, não incluso mas disponível na cidade. Nossos grupos anteriores desde inverno já haviam ido a este passeio mas eu não.

Curioso pelo que diziam, fui pela primeira vez.

Em um trenó puxado por snowmobiles, todo nosso grupo foi levado para um pequeno acampamento no meio do nada. Lá, 3 Lavos (cabanas Sami) e muitas renas espalhadas por uma espécie de quintal cercado. O Lapão Sami conversou conosco, falou muito sobre a cultura deles, pudemos conhecer as renas, brincar com os animais. Depois, fomos para um Lavo, onde pudemos perceber o quão difícil era e, ainda é, a vida deste povo. Com muita fumaça dentro da cabana, 24 h por dia, eles vivem do pastoreio da rena. Ao entrarmos, rapidamente nossos olhos começaram a arder, até que nos acostumássemos um pouco. Almoçamos carne de rena ensopada e logo depois improvisamos uma “corrida de trenó” puxado por rena.

Algumas fotos:

 

Incrível, uma tarde completamente diferente e onde pudemos ter contato com uma cultura em extinção, mas ainda viva no norte do planeta.

No retorno para Alta pudemos, mais uma vez, como os demais grupos anteriores, conhecer o famoso HOTEL DE GELO, “SORRISNIVA ICE HOTEL“. Todo feito em gelo, derrete todo ano e é refeito no ano seguinte. Conheci esse hotel há quase 10 anos, quando participei da Equipe do Planeta Extremo que filmava a Aurora Boreal para o Fantástico da Rede Globo. Depois de tanto tempo, continua muito interessante e maior.No hotel o grupo aproveitou e fez o passeio de moto neve (snowmobile) que é oferecido no local.

 

Infelizmente, no nosso último grupo do ano não foi possível irmos até o CABO NORTE. Uma pequena avalanche de neve encobriu a estrada que ficou fechada algumas dezenas de km além da cidade de Alta. Um App nos informava que demoraria demais até que desse tempo de irmos até lá.

Assim, ficamos na cidade os últimos 2 dias mas o melhor estava por vir.

Na última noite, embora não fosse previsto nada de especial em relação aos ventos solares que formam as luzes, uma super aurora boreal, a mais forte de toda a viagem, apareceu sobre nós.

As luzes espalhadas por todo o céu estrelado dançavam com força, brancas, verdes, rosa. Desligamos todas as luzes dos quartos, cozinha, sala e muitos de nós ficou, inclusive, vendo a aurora pelo vidro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim finalizamos nosso último grupo da temporada.

Agora, já iniciamos os contatos para formação dos futuros grupos a partir de setembro.

Abs

Daniel Japor

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